Estes são os diplomados que as empresas procuram

Acabou a ditadura da média final: interessa a capacidade de fazer apresentações, o trabalho em equipa, a experiência cá e lá fora. Para Beatriz, a Morgan Stanley contratou-a porque também esteve seis meses em Itália como baby-sitter. Tiago mudou-se para Londres para aperfeiçoar o inglês antes de se candidatar à Jerónimo Martins.

Em julho, Beatriz Duarte tornou-se funcionária da Morgan Stanley, em Londres. Desde o fim do verão do ano passado que a portuguesa de 24 anos, com mestrado em Finanças defendido em janeiro, sabe que o seu destino passará no futuro próximo por uma das maiores empresas financeiras do mundo.

Às vezes, "dou por mim a pensar com os meus botões: o que é que viram no meu currículo? Acabei a licenciatura com média de 17 e faço parte da Nova Fellowship for Excellence", que atribui bolsa aos melhores alunos. Esteve num clube na faculdade, "mas além disso não tinha nada": "Nunca tinha feito um estágio, ou tido um emprego. Quando olho para o meu currículo pré-Morgan Stanley, que era vazio, acho que a experiência diferenciadora foi ter sido au pair", diz a leiriense, que optou por essa experiência internacional depois de, ao fim de um semestre, ter desistido de Engenharia Biomédica na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. "Achava que queria ser engenheira. Mas acabei por perceber que não gostava e disse aos meus pais."

Não ficou presa à indecisão e inscreveu-se numa plataforma online de au pairs, que a enviou para a casa de uma família na Isola D’Elba, em Itália, onde foi baby-sitter da filha de 4 anos. Nesse período tinha a tal dúvida: em que curso se inscreveria a seguir? "Tinha medo de acontecer de novo" e de não gostar. Apercebeu-se que lia cada vez mais jornais económicos e pesquisava determinados termos na Internet. O interesse crescia e escolheu Economia na Nova SBE

Beatriz aponta a "preparação científica", com que se apresentou no estágio em Londres, como o principal motivo para a convidarem a ficar com um contrato a tempo inteiro. "Os alunos têm algum receio quando vão para fora. Apesar de [a faculdade ser] muito reconhecida em Portugal e na Europa, há outras que têm mais peso e nome." Durante as 10 semanas de estágio cruzou-se com colegas de Oxford e Cambridge, que, para dar apenas um exemplo, são a 6ª e a 26ª melhores escolas de formação de executivos no ranking no Finantial Times divulgado na última semana.

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